Moçambola2020: A viabilização depende agora das empresas públicas!

Os clubes integrados nas empresas públicas deverão abrir a mão do apoio da federação, através dos Fundos da FIFA, que deverá ser redistribuído pelos clubes, digamos, mais necessitados, para a cobertura do défice que será criado pelos jogos à porta fechada estimado em cinco milhões de meticais por clube. As empresas públicas salvavam os seus e o Fundo de Promoção Desportiva (FPD), por sua vez, completava a corda que faltará à boia de salvação.

Por: Abiatário Rombane/Redacção

É a fórmula encontrada para salvar o Moçambola-2020 pela Comissão de Trabalho criada e liderada pelo Secretário de Estado do Desporto (SED), Carlos Gilberto Mendes, na qual fazem igualmente parte representantes da Federação Moçambicana de Futebol (FMF), Liga Moçambicana de Futebol (LMF) e os clubes.

De acordo com proposta a que OC-Olho Clínico teve acesso, por forma a salvar o Moçambola-2020, os oito clubes integrados nas empresas públicas deverão abrir a mão do apoio a que têm direito do Fundo Solidário da FIFA, no valor de 1.200.000 meticais por cada emblema.

Decorrente disso, o Costa do Sol (sustentado pela Electricidade de Moçambique), ENH de Vilankulo (da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos), União Desportiva de Songo (da Hidroeléctrica de Cahora Bassa) e os Ferroviários de Maputo, da Beira, de Nampula, Nacala e de Lichinga (pertença dos Caminhos-de-Ferro de Moçambique) cediam o valor agregado de 9.600.000 meticais.

Adiante, este valor seria redistribuído pelos clubes sem apoio público, nomeadamente o Incomáti de Xinavane, o Desportivo de Maputo, o Textáfrica de Chimoio, a Liga Desportiva de Maputo, a Associação Black Bulls e Matchedje de Mocuba – este último por sinal pertença do Ministério da Defesa Nacional.

Porque os 9.600.000 de meticais distribuídos pelos seis significam 1.600.000 meticais por cada clube, estes que somados aos 1.200.000 a que já têm direito representam 2.800.000 meticais para cada um, foi proposto à federação que faça uma ginástica financeira que permita que cada emblema desta meia-dúzia receba quatro milhões de meticais.

E porque estimado em cinco milhões de meticais o défice cantado para um Moçambola sem público, caberá ao FPD, órgão de tutela da SED, injectar o milhão que falta para estes seis clubes poderem financeiramente sorrir com a falta de adeptos nos recintos desportivos, caso seja autorizado o regresso do Moçambola.

Ou seja, que acabará sendo a federação a canalizar o valor da FIFA para a viabilização das provas nacionais, no caso o Moçambola, conforme o determinado por aquela entidade internacional.

E quem salvará os oito do “sector público”

As próprias empresas integradoras. Parecendo simples, não é? Pois, é o que sugere a fórmula encontrada pela SED, FMF, LMF e os Clubes representados na referida Comissão de Trabalho criada e presidida por Gilberto Mendes para viabilizar o Moçambola.

Ou seja, o Costa do Sol deverá buscar cinco milhões de meticais na EDM. ENH na ENH. UDS na HCB. Os cinco Ferroviários, nomeadamente o de Maputo, o da Beira, o de Nacala, o de Nampula e o de Lichinga na mãe-grande (empresa) Portos e Caminhos-de-Ferro de Moçambique.

No entanto, manda o rigor sublinhar que, apesar de se ter chegado a acordo, esta fórmula ainda habita no campo da proposta, que pode ou não ser aceite pelas partes envolvidas. Ou seja, ainda vai a análise dos Conselhos de Administração das empresas públicas e até mesmo da direcção da FMF que deverá fazer uma ginástica para garantir a cada um dos seis clubes não integrados quatro milhões de meticais.

Aproximar posições para viabilizar o Moçambola-2020

Antes da reunião à porta fechada da Comissão de Trabalho, o Secretário de Estado do Desporto já havia dado indicações do que se pretendia com este órgão: aproximar as posições para a viabilização do Moçambola.

“Esta comissão existe para viabilizar o Moçambola”, assegurava Gilberto Mendes, que não escondia ser um mau sinal a federação utilizar boa parte do Fundo Solidário para pagar dívidas e não viabilizar a prova, pois parecia que a federação não acreditava no próprio Campeonato Nacional de Futebol.

Acreditamos que há de todo um interesse da federação em que o Moçambola retome o mais rapidamente possível, por forma a que seja própria federação a ir lá buscar jogadores para os compromissos internacionais dos Mambas”, dizia Gilberto Mendes, minutos antes de entrar para a reunião da Comissão de Trabalho.

Um discurso de todo conciliador e paternalista, que poderá ter sido decisivo para que as partes chegassem finalmente a acordo na fórmula para encher de oxigênio a almofada financeira de que precisam os clubes para que haja Moçambola ainda este ano.

Para além de Gilberto Mendes, fazem ainda parte da Comissão de Trabalho Francisco da Conceição (SED), Amélia Cabral (FPD), Jorge Bambo (FMF), Hilário Madeira (FMF), Ananias Couana (LMF), Jeremias da Costa (clubes) e Junaide Lalgy (clubes).

De recordar que, apesar do défice de 30 milhões de meticais para a organização da prova máxima, a Liga Moçambicana de Futebol garante estarem criadas todas as condições logísticas para a realização ainda este ano desse Moçambola tradicional(ista), o de todos contra todos. Em duas voltas. O da Unidade Nacional. OC

Categorias:Início, Outras Futebol

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