NAYMO ABDUL: Continuarei seleccionador pela causa da nação, mas com novos paradigmas

O demissionário seleccionador nacional de futsal, Naymo Abdul, deu uma entrevista à Rádio Moçambique na tarde deste sábado, 08 de Fevereiro, na qual fez falou da passagem, por esquecer, de Moçambique no recém-terminado Campeonato Africano das Nações de Futsal. Outrossim, revelou ter colocado o lugar à disposição ao presidente da Federação Moçambicana de Futebol (FMF) a quente, revelando, na mesma linha, que está apto a continuar a dar o seu contributo ao futsal nacional seja como seleccionador ou…Noutras funções dentro da federação.

OC-Olho Clinico teve acesso ao áudio da entrevista e transcreve, aqui, as principais declarações de Naymo Abdul, treinador que depois de apurar Moçambique ao Campeonato do Mundo de 2016, em 2020 foi ao Campeonato Africano das Nações (CAN) e saiu de lá sem uma vitória para contar aos amigos.

LUGAR À DISPOSIÇÃO? Coloquei sim e não me arrependo disso. Mas o presidente da FMF, Feizal Sidat, disse-me, ainda em Marrocos, que gostaria que eu continuasse na federação. Revelou que ia reestruturar o futsal, que dentro desse espírito pretende contar comigo.

ENTÃO A DECISÃO É REVERSÍVEL? Ainda estou com a cabeça quente. Ainda preciso de um período para analisar as coisas e repensar no futuro. Não é fácil ir a uma competição e sair de lá sem ganhar um jogo sequer.

MAS CONTINUA OU NÃO COMO SELECCIONADOR? Posso ficar pela causa da nação. Acho isso ser o mais importante do que tudo.

A CONTINUAR, O QUE TERIA DE MUDAR? Faria muitas propostas de modo a alterar algumas coisas que não correram bem. Primeiro, pediria ao Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano a repor o futsal nos Festival dos Jogos Desportivos Escolares. Compreenda que alguns jogadores que temos hoje, na seleccão, foram descobertos neste evento, cuja última edição que teve futsal ocorreu em 2011.

Em segundo, pediria para que se alterasse o paradigma do futsal moçambicano. No passado tínhamos muitas equipas a praticar a modalidade a nível nacional. Tínhamos até camadas de formação e hoje já não temos nada disso. Até futsal feminino tínhamos. Temos de repensar na formação de jogadores e de treinadores de futsal.

ISSO CHEGARIA PARA DAR RITMO COMPETITIVO QUE FALTOU À SELECÇÃO? Durante os quatro anos que estive à frente da selecção, tive a sorte de conhecer e de fazer parcerias com vários treinadores internacionais. Graças a mim, o País estabeleceu parcerias com as federações de Brasil e da Tailândia. No meu plano de actividades, coloco anualmente duas participações das selecções nacionais em torneios internacionais, para dar mais ritmo competitivo aos meus atletas. Isso dar-me-ia mais opções de conhecer os nossos atletas. Mas, por razões que não quero aqui avançar, isso não aconteceu. Nos últimos quatro anos só fui a dois torneios, de um total de oito programados.

ANTES DO CAN, ACREDITAVA NO MUNDIAL. O QUE MUDOU? Em Julho do ano passado participamos num Torneio Internacional da África do Sul. E estes atletas que levei ao CAN são os mesmos que participaram nessa prova de rodagem. Tivemos uma boa prestação no torneio e até empatamos com o Egipto. Estava confortável com estes atletas. Mas chegados em Marrocos e tudo mudou de figura. Estivemos apáticos nos primeiros dois jogos e, quando acordamos, para o terceiro, já era tarde demais. Estávamos eliminados e só cumpríamos calendário.

E QUEM É O CULPADO? Olha, precisamos de mais ritmo competitivo. Precisamos de participar em mais provas internacionais. Repare que Marrocos e Egipto participaram, só no ano passado, em cerca de sete competições internacionais.

E NÓS? Em quatro anos [mandato de Alberto Simango Júnior] participamos em apenas dois torneios, de oito programados. Isso, de per si, é complicado e mostra o nível de cada uma das selecções.

E SE O TEMPO VOLTASSE AO CAN? Não confiaria em todos os convocados que levei a Marrocos. Não levaria alguns. A título de exemplo, faltou-me Caló que parou durante muito tempo devido a uma lesão e o Ricardo, a contas com uma lesão em Portugal.

O QUE ACHA DO QUADRO COMPETITIVO NACIONAL? Não é suficiente para dar ritmo competitivo à selecção, nem ter atletas prontos para desafios internacionais. Os campeonatos nacionais decorrem uma vez ao ano, durante um período de tempo muito curto. Isso é extremamente complicado.

A MAIOR VERGONHA FOI CONTRA ANGOLA. O QUE TEM A DIZER? Não estivemos à altura do adversário. Eles têm jogadores com muita qualidade e muito tecnicistas…

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s