FMF: Fuga de quadros ou caça às bruxas nas candidaturas?

O dia de ontem (segunda-feira: 25) terminou com o anúncio de uma desistência de peso na lista liderada por Feizal Sidat, para as eleições na FMF. A do jornalista desportivo, administrador da TVM e oficial de Media da CAF, Sérgio Marcos. Outra informação, prontamente desmentida, apontava para a saída de Jeremias Langa, administrador do Grupo SOICO, da candidatura de Tico-Tico.

Numa carta enviada ao líder da candidatura, a que o OC-Olho Clínico teve acesso, Sérgio Marcos alega como motivo da renúncia da sua saída como candidato a Vogal de Direcção, “o crescimento número de concorrentes e do interesse público em torno das eleições”, bem como “para me conformar com a legítima expectativa pública de ver, o órgão para o qual trabalho, a cobrir com isenção as etapas que se seguem nesta corrida”.

Engraçado nisto é que, o próprio Sérgio Marcos justifica, na mesma carta, que terá se juntado a Feizal Sidat, no passado mês de Agosto, “num contexto em que a disputa do cargo de presidente da FMF-Federação Moçambicana de Futebol contemplava apenas dois candidatos”.

Jeremias Langa, por sua vez na lista de Tico-Tico, era dado como o próximo a abandonar o barco em pleno principio de navegação, uma notícia que ele próprio tratou de a desmentir, atirando qualquer informação relacionada para a vala da falsidade.

Mas o que se passa, de facto?

Toda a verdade está nas entrelinhas do que escreve Sérgio Marcos. E o OC-Olho Clínico está na posição de confirmar que, para os dois quadros, há um incómodo generalizado que rebenta paredes por estarem perfilados nas listas candidatas.

Uma questão meramente de ordem profissional. Ligada aos órgãos a que pertencem, nos quais para além de jornalistas são moderadores de debate. Superiores hierárquicos. Administradores. Portanto, com influência directa na gestão do pessoal e dos conteúdos.

É nessa perspectiva que os restantes candidatos, sem ligações com os canais televisivos dos respectivos candidatos, mostram-se terminantemente indisponíveis a participar nos debates promovidos por estas duas televisões.

Compreendem – os demais candidatos – que a priori estão feridas a ética e a isenção não só dos jornalistas envolvidos nas listas, mas também de um órgão, sabido que tanto Sérgio Marcos como Jeremias Langa são moradores de debates como também podem indicar quem os deve substituir nessa condição.

Não só. Na qualidade de chefes, detêm ainda o poder de mexer os tópicos para alegadamente beneficiar os seus lideres, conforme a alegação a que o OC-Olho Clínico teve acesso.

E para preservar a defesa desse “interesse público em torno das eleições” , ora argumentado por Sérgio Marcos, o administrador da TVM decidiu por fim libertar-se da candidatura de Faizal Sidat, igualmente para permitir que a televisão, que é pública, trabalhe sem ser mal vista pelas restantes três candidaturas.

Jeremias Langa continuará na lista de Tico-Tico, mas trovejará até ao rompimento de tímpanos no que em que a STV conseguir reunir os três candidatos adversários seus, à mesma mesa, para um debate público.

Texto de Abiatário Rombane